Arquivo de Abril de 2009
Noticias do Mercado Ewerton em 28 Abr 2009
Planejar é receita para não ficar inadimplente

Segundo Diógenes Donizete, assistente técnico de diretoria do Procon-SP, o problema não está em quanto se recebe, mas sim, em quanto se gasta. “É necessário administrar as contas. Indicamos que as pessoas contabilizem receita (o salário) e despesas. Essa equação não pode ficar negativa, pois é nessas ocasiões que a pessoa fica mais vulnerável a entrar no cheque especial, estourar os limites do cartão de crédito e não pagar os tradicionais boletos”, advertiu.
Ele explicou que 20% das pessoas hoje incorporam o limite do cheque especial ao salário. “Esse é o primeiro passo para aumentarmos a inadimplência. As pessoas precisam viver com aquilo que ganham. Coisas supérfluas foram feitas para serem cortadas”, afirmou Donizete.
Outro cuidado, na visão do técnico do Procon-SP, é com relação aos financiamentos. Um exemplo é a compra a prazo do carro. “Não basta saber se a prestação cabe no bolso. Em três anos de uso do veículo, paga-se o valor total do bem com gastos diários. Por exemplo, se o veículo custa R$ 60 mil, por ano a pessoa terá um gasto de R$ 20 mil, somando IPVA, seguro particular, seguro obrigatório, licenciamento, combustível, pedágios, multas, troca de pneus, óleo, entre outras despesas”, exemplificou.
RECEITA - Fábio Gallo Garcia, professor de Finanças da FGV-SP (Fundação Getulio Vargas-São Paulo) e PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) ensinou uma receita para evitar o endividamento. Nada melhor do que colocar mensalmente em um caderno gastos com alimentação e gastos com a manutenção da casa. “Esses dois itens são de extrema necessidade, envolvem a compra do mês, contas de água, gás, luz, telefone, aluguel, condomínio, IPTU, entre outras”, comentou.
Em seguida, deve-se listar as contas contornáveis - aquelas que podemos deixar de pagar enquanto o saldo no banco não fica azul - como TV a cabo, internet banda larga, contas altas de celular. Por último, ficam as despesas desnecessárias, como a mensalidade do clube que a pessoa não frequenta.
As medidas são essenciais para precaver as dívidas, mas também no caso de reverter a situação. Para aqueles que estão no vermelho essa medida, a longo prazo, equilibra a equação entre receita e despesas.
“Contraídas as dívidas o passo para regularizar a situação, após colocar no papel todo o planejamento financeiro, é negociar o parcelamento do saldo devedor com o agente financeiro. Outra opção é fazer a troca por um financiamento com juros menores (o consignado, por exemplo) ou mover a ação de revisão na Justiça, o que reduzirá a dívida em até 50% dos juros e encargos cobrados”, aconselhou o presidente do Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo), José Geraldo Tardin.
LIÇÃO - Depois de passar por alguns apertos na hora de pagar as contas, a professora aposentada Anna Maria Mariano Custódio, 69 anos, moradora de Diadema, resolveu com a ajuda da filha e do genro ter um caderninho para listar suas despesas e necessidades a serem pagas.
“Cheguei a não pagar meu convênio médico e precisar morar por sete meses na casa do meu genro. Não fazia contas, não me preocupava com meu futuro. Tinha mania de comprar as coisas e nem olhar o quanto custava”, relembrou.
Hoje, Anna Maria conta com orgulho que fazendo um planejamento prévio das despesas e utilizando o bom e velho caderninho, é possível se manter sozinha em seu apartamento, com alguma sobra uma reserva para guardar e gastar.
Fonte: Diário do Grande ABC
Noticias do Mercado Ewerton em 27 Abr 2009
Segurados poderão tirar extrato do INSS em caixa do BB
Brasília - A partir do próximo dia 1º de maio, a Previdência Social promete colocar em prática mais um serviço que visa facilitar a vida dos contribuintes. Por meio dos terminais de acesso bancário (caixas eletrônicos) do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, os segurados poderão tirar extrato das suas contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e também terão acesso às informações sobre o tempo de contribuição ainda necessário para a aposentadoria.
Segundo o ministro da Previdência, José Pimentel, no caso do BB, só os segurados que possuem conta no banco terão acesso ao serviço. Já no caso da Caixa o acesso poderá ser mais abrangente. A ideia é que os trabalhadores que possuem conta no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) tenham disponível a opção de pesquisa dos dados cadastrais da Previdência Social. A própria senha bancária permitirá a retirada do extrato.
Pimentel anunciou o projeto esta semana, durante uma reunião das superintendências do INSS do Centro-Oeste realizada em Brasília. “Como gestores de serviço público, precisamos cada vez mais oferecer comodidade aos cidadãos”, afirmou ele. O projeto está em fase de testes e deverá estar pronto para implementação no Dia do Trabalho. Para isso, nos próximos dias, o Ministério da Previdência vai assinar um convênio com os bancos públicos.
O que permite que o BB e a Caixa ofereçam este tipo de serviço é que os dois bancos públicos integram o comitê gestor do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), ao lado dos ministérios da Previdência e do Trabalho, por exemplo. Assim, eles podem ter acesso a essa base de dados e não outras instituições financeiras. Por trás da ideia, está a meta do governo de melhorar o atendimento nas agências da Previdência, desafogando os postos das pessoas que os procuram apenas para obter informações.
Desde o início deste ano, as agências da Previdência estão trabalhando com o reconhecimento automático de direitos aos segurados para a concessão de aposentadorias por tempo de contribuição e do salário-maternidade em até 30 minutos. A partir de junho, a ideia é estender essa possibilidade à concessão de aposentadorias por idade para os trabalhadores rurais.
Fonte: Agencia estado
Comunicado MATONE Ewerton em 27 Abr 2009
Exclusivo aos Correspondentes que operam Compra de Dívidas
Noticias do Mercado Ewerton em 27 Abr 2009
Funcionário público usou a ex-babá como laranja
Como o diretor João Zoghbi tornou uma senhora de 83 anos sua sócia para receber dinheiro de um banco que faz negócios com o Senado
Andrei Meireles e Matheus Leitão
Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 25/abril/2009.
O EMPRESÁRIO
João Carlos Zoghbi na porta de sua casa, em Brasília. Apadrinhado por políticos, ele virou diretor do Senado e ergueu um grupo empresarial
Por quase uma década, João Carlos Zoghbi foi diretor de Recursos Humanos do Senado, onde comandava uma folha de pagamentos de 10 mil funcionários, que consome R$ 2,3 bilhões por ano. Acumulou poder, patrimônio – ele é dono de uma casa em Brasília, com 770 metros quadrados de área construída –, assim como muitos desvios éticos e irregularidades. A vida funcional de Zoghbi no Senado se assemelha a um compêndio dos escândalos que nos últimos meses abalaram ainda mais a imagem pública do Congresso. Sete parentes de Zoghbi – sua mulher, Denise, seus três filhos, um irmão, uma cunhada e até uma ex-nora – foram demitidos do Senado depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) obrigou o Parlamento a tomar medidas contra o nepotismo. Um dos filhos de Zoghbi morava de graça num apartamento funcional do Senado. A família Zoghbi envolveu-se também na farra das passagens aéreas do Congresso – fizeram 42 viagens com bilhetes da cota de 12 deputados federais.
Agora, uma investigação feita por ÉPOCA nos últimos três meses revela que Zoghbi tem problemas ainda mais sérios. Ele está envolvido na criação de empresas de fachada, que usavam testas de ferro para ocultar o recebimento de quantias milionárias pagas por empresas que faziam negócios com o Senado. A história mais escandalosa envolve Maria Izabel Gomes, uma senhora de 83 anos. Ela foi ama de leite e babá de João Carlos Zoghbi. Mora até hoje com ele numa casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Até os 80 anos, dona Maria Izabel não tinha renda alguma. Era isenta no Imposto de Renda. No segundo semestre de 2006, ela virou sócia majoritária de três empresas – DMZ Consultoria Empresarial Ltda., Contact Assessoria de Crédito Ltda. e DMZ Corretora de Seguros Ltda. ÉPOCA apurou que, em apenas um ano e meio, as três empresas da ex-babá faturaram pelo menos R$ 3 milhões.
Grande parte dessa receita veio do Banco Cruzeiro do Sul, instituição que fez fortuna como provedora de crédito consignado, empréstimos com desconto em folha de pagamentos para funcionários públicos. Só no Senado, nos últimos três anos o negócio movimentou R$ 1,2 bilhão. O Cruzeiro do Sul foi responsável por uma fatia de R$ 380 milhões. ÉPOCA apurou que o Cruzeiro do Sul pagou cerca de R$ 2,3 milhões à empresa Contact por serviços referentes à concessão de crédito consignado, especialmente aos funcionários do Senado. Os pagamentos à Contact começaram depois de o banco ter enfrentado, em 2007, uma complicada negociação para renovar o contrato com o Senado por dois anos. Em 2006, a Mesa do Senado resolveu tomar providência contra o Cruzeiro do Sul, depois de receber o ofício número 350, assinado pelo então diretor João Carlos Zoghbi. Ele reclamava dos serviços prestados pelo banco. O relatório de Zoghbi registrava queixas de funcionários sobre mau atendimento, descaso e até uma denúncia documentada de que o banco se recusava a aceitar a quitação de dívidas. A direção do Senado ameaçou suspender negócios com o banco.
Noticias do Mercado Ewerton em 22 Abr 2009
Confira dicas para fazer a declaração de imposto renda de aposentado
Contribuinte deve ficar atento ao limite de isenção especial.
Veja onde informar rendas e despesas e evitar erros com a Receita.
IMPOSTO DE RENDA 2009
Para fazer a declaração do Imposto de Renda 2009, o contribuinte que recebe aposentadoria deve ter cuidado especial na hora de informar os rendimentos do ano: como tem limite especial de isenção do imposto a partir dos 65 anos de idade, é importante verificar o campo certo para informar cada tipo de renda.
Veja, ficha a ficha, como preencher a declaração do IR
O aposentado tem, em relação aos demais contribuintes, a vantagem do direito a isenção extra do imposto a partir do mês em que completa 65 anos de idade, de acordo com a Receita Federal.
Daí para a frente ele tem, além do limite mensal de R$ 1.372,81 previsto em tabela (que vale para toda pessoa obrigada a pagar IR), o limite especial de isenção de R$ 1.372 por mês, mais o décimo terceiro salário. A condição é válida apenas para rendimentos provenientes de previdência oficial, do Estado, dos municípios ou de previdência privada domiciliada no país.
Renda proveniente de uma dessas fontes deve ser informada no programa IRPF 2009 na ficha de rendimentos isentos e não-tributáveis. Segundo especialistas, é preciso ter cuidado: no caso de mais de uma fonte pagadora (que se encaixem em uma das previstas para a isenção especial) o aposentado deve informar o rendimento isento apenas uma vez no item 6 da ficha, segundo o consultor Antônio Teixeira Bacalhau, da IOB.
“Por exemplo: se o aposentado recebe rendimentos do INSS, da previdência privada e do estado, ele deve somar os três rendimentos e subtrair o limite de uma única vez”, explica.
Para saber o limite anual de isenção para cada aposentado, deve-se fazer a seguinte conta: o valor de R$ 1.372,81 da isenção mensal, multiplicado pelo número de meses contados em 2008 a partir da data em ele completou 65 anos, mais o décimo terceiro salário.
“Soma os rendimentos isentos de todas as fontes e subtrai do limite; o que ultrapassar esse teto, deve ser informado como rendimento tributável e seguir a tabela regular de isenção da Receita”, diz.
‘Mordidas’ do Leão
Fontes de renda além da aposentadoria e rendimentos isentos, como aluguéis de imóveis, por exemplo, são tributados normalmente de acordo com a tabela de isenção do IR e devem ser informados na ficha de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física.
“É preciso ficar atento: qualquer rendimento que o aposentado venha que não seja de aposentadoria ou dessas fontes nao tributáveis é tributado normalmente”, diz a vice-presidente de registro do Conselho Federal de Contabilidade, Luci Melita Vaz.
O contribuinte deve informar ainda rendimentos isentos e não-tributáveis superiores a R$ 40 mil: dinheiro de aplicações financeiras, poupança e fundo de garantia, por exemplo.
É importante ainda informar a propriedade de bens ou direitos em dezembro de 2008 de valor superior a R$ 80 mil. “Se a pessoa tem o imóvel em que mora, uma poupança, um carro, e superar esse valor, tem que informar”, diz Teixeira, da IOB.
Empréstimo e saúde
Contratação de empréstimo consignado, popular entre aposentados, deve ser informada na ficha de “Dívidas e ônus reais”.
Despesas médicas, como pagamento de planos de saúde, devem ser informadas para que o programa IRPF 2009 compare o cálculo de imposto a pagar e restituição dos modelos completo e simplificado.
Fonte: G1
Comunicado MATONE Ewerton em 15 Abr 2009
Site de Digitação de Propostas Matone - Sicred.web
Prezado Correspondente Matone,
Informamos que em função de problemas técnicos em nosso link de acesso ao sistema de propostas do sicred.web no site oficial do Banco Matone S/A, disponibilizamos temporariamente o site de atalho http://diretoweb.matone.com.br para digitação de propostas.
Ao entrar no site, aparecerá uma página de “certificado de segurança do site”. Clique em “continuar neste site (não recomendado)” para que o site seja aberto normalmente:

Na página seguinte, abrirá a tela de “Logon” do Banco Matone. Insira o usuário e senha cadastrado junto ao Matone para entrar no ambiente de propostas.
Neste atalho não é possível acessar outras pastas de tabelas, formulários ou manuais. Estamos trabalhando para corrigir o problema, momento em que informaremos oportunamente quando da normalização do site.
Atenciosamente,
Aguinaldo Matos de Oliveira
Gerente
Noticias do Mercado Ewerton em 08 Abr 2009
Nova regra para o consignado
Ampliação da margem de empréstimo para 30% do valor do benefício deve ser publicada nos próximos dias. Para quem ganha o mínimo, diferença de R$ 46,50 pode garantir a liberação de R$ 1.437,25 para pagar em 60 meses
Rio - Aposentados e pensionistas do INSS aguardam a publicação da instrução normativa que vai regulamentar a decisão do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), anunciada dia 10 de março, que amplia a margem consignável nos empréstimos com desconto em folha de 20% para 30% do valor dos benefícios. A norma para que os bancos possam começar a receber os pedidos de refinanciamento ou abertura de novos contratos foi prometida para 15 dias depois — o que significa que já poderia estar em vigor. Mas o ministro da Previdência Social, José Pimentel, informou que não houve tempo para a adaptação da Dataprev e dos bancos conveniados com o INSS, estendendo o prazo para os primeiros dias de abril.
Na prática, os segurados poderão voltar a comprometer 30% de seus proventos em parcelas dos empréstimos consignados. Desde maio de 2008, só podem empenhar 20% para a modalidade do crédito consignado convencional, que tem juros mais baixos que os praticados pelo cartão de crédito — a taxa é de até 2,5% ao mês em operações de até 60 meses, enquanto os cartões cobram 3,5%. Os usuários do cartão podiam usar os restantes 10%, mas teriam que arcar com a taxa mais salgada.
Um segurado que recebe o salário mínimo (R$ 465) pode reservar até R$ 93. Com a publicação da instrução normativa, ele terá o limite para parcelas de até R$ 139,50. A diferença de R$ 46,50 poderá ser utilizada para refinanciar a dívida ou fazer um novo contrato para crédito com desconto em folha. Por esse valor, é possível obter R$ 1.437,25 para pagar em 60 meses, pelos juros máximos oferecidos pelos bancos. Nesse caso, é bom lembrar que, ao fim dos cinco anos, o segurado vai pagar R$ 2.790.
VEJA ALGUNS EXEMPLOS
Para os beneficiários que ganham R$ 1 mil por mês, a margem consignável deverá subir de R$ 200 para R$ 300. A possibilidade de reserva para novo empréstimo com 60 parcelas de R$ 100 dá direito a uma retirada de R$ 3.090,87. Na ponta do lápis, a conta vai ficar em R$ 6 mil quando o aposentado terminar de pagar.
Aqueles que ganham o teto de R$ 3.218,90 ficarão com margem R$ 321,89 maior. A folga permitirá empréstimo de R$ 9.949,19, pago em 60 meses. Em 2014, quando quitar tudo, o segurado terá desembolsado mais R$ 19.313,40.
“O consignado mascara a perda dos benefícios”
“A decisão de ampliar a margem é uma reivindicação dos aposentados e pensionistas, mas é preciso ter em mente que os empréstimos são uma forma de repor as perdas impostas ao longo de anos de achatamento dos benefícios previdenciários. O consignado mascara as perdas dos valores dos benefícios. É por essa razão que estamos indo às ruas para reivindicar a aprovação dos projetos de lei já aprovados no Senado e que estão na Câmara para restituir a dignidade no INSS.”
JOSÉ CARLOS VIEIRA
diretor da Cobap
Fonte: O Dia Online
Noticias do Mercado Ewerton em 08 Abr 2009
Endividado? Especialistas ensinam dez passos para ’sair do vermelho’
Juros do cartão e do cheque especial podem fazer dívida disparar.
‘Trocar’ dívida antiga por empréstimo consignado pode ajudar recuperação.
A crise econômica está fazendo com que as taxas de inadimplência no Brasil voltem a subir, após se manterem em níveis estáveis por vários anos. Dados do Banco Central (BC) mostram que a inadimplência está em trajetória de alta nos últimos cinco meses. Em março, o nível subiu para 8,3%, o patamar mais elevado desde maio de 2002.
“Muita gente começa a usar o cheque especial ou o cartão e não o salário como seu limite de consumo, com juros que podem chegar a 15% ao mês. Quando a pessoa não consegue cobrir o valor, começam a incidir juros sobre juros, a coisa vira uma bola de neve e a dívida dispara”, explica Carlos Daniel Coradi, da EFC Engenheiros Financeiros & Consultores.
O G1 conversou com uma série de especialistas para descobrir as melhores rotas para quem procura “sair do vermelho” e deixar as dívidas para trás.
OS DEZ PASSOS PARA SAIR DO VERMELHO
Veja como se livrar das dívidas em tempos de inadimplência em alta
1. Conheça o tamanho de sua dívida. Visite todos os credores e peça para que eles descrevam em um papel oficial da instituição o valor exato e os itens que compõem o total de sua pendência.
2. Leve os papéis para a análise de um especialista. Talvez alguns itens possam ser deduzidos do total a ser pago, ou então o valor da dívida pode ter sido calculado de modo incorreto.
3. Guarde esses papéis. Mais tarde, eles podem funcionar como comprovantes em caso de uma disputa judicial sobre o valor da dívida.
4. Tente levantar o maior valor possível. Isso pode incluir a venda de um veículo ou de um terreno, ou mesmo um empréstimo tomado de um familiar. Até mesmo as joias da família podem ser usadas em um momento de dificuldade.
5. Com esse dinheiro, faça uma oferta aos credores para o pagamento à vista de uma parcela de seu débito. Normalmente, esse tipo de oferta pode gerar o abatimento de uma parcela significativa da dívida.
6. Mude o perfil de sua dívida. Use o dinheiro de um empréstimo consignado – com mais parcelas e juros mais baixos – para cobrir as dívidas anteriores, especialmente no caso das pendências do cartão de crédito e do cheque especial.
7. Essa “troca” da dívida deve diminuir o número de credores, se possível para apenas um. Assim, evitam-se os riscos de muitas taxas para pagar, muitos boletos, com chances de perder um prazo ou deixar de pagar uma conta.
8. Caso não consiga unificar as dívidas, a prioridade de pagamento deve recair sobre aquelas com juros mais altos, especialmente o cartão de crédito. Sempre que possível, deve-se pagar o valor integral da parcela e não apenas o percentual mínimo.
9. Na hora de conversar com os credores, mostre que tem tem intenção de pagar a dívida, mas que está enfrentendo dificuldades. Bancos e financeiras tendem a aceitar uma redução no valor do débito em vez de ficar sem receber ou enfrentar os custos de um processo.
10. Adote uma postura preventiva antes de enfrentar uma dívida. Use o cartão de crédito e o cheque especial apenas em situações específicas, e somente quando tiver recursos para cobrir rapidamente os custos
Primeiros passos
Para quem tem contas no atraso, a primeira providência é se organizar. “Criar uma organização financeira básica é o passo mais importante, mas também o mais difícil”, afirma Fabio Gallo, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O primeiro passo é descobrir qual é o tamanho exato de suas dívidas e como elas são compostas. Assim, a recomendação é que se visite todos os credores e que se peça para que escrevam em um papel oficial da empresa, com assinatura, o valor e a composição do total.
“Às vezes, bancos e financeiras gostam de colocar taxas de cobranças, advogados e uma série de itens que que não fazem parte da realidade daquele momento. Outro fator é que, infelizmente, alguns lugares incluem na dívida taxas que não são corretas, cálculos que não são adequados”, diz Gallo.
De posse desses papéis, eles devem ser levados para a análise de alguém que entenda do assunto, como um contador. Entidades como o Procon, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e até algumas centrais sindicais possuem esse tipo de serviço.
Às vezes, essa providência pode reduzir de modo substancial o valor da dívida. “Além disso, o fato desses valores estarem no papel é uma formalização. Mais tarde, se você entrar numa disputa judicial, esse papel é uma comprovação dos fatores que compõe sua dívida”, explica ele.
Evolução mensal da taxa de inadimplência no país (Editoria de Arte/G1)
O próximo passo é tentar levantar o maior valor possível em dinheiro. Isso pode incluir a venda de um veículo ou de um terreno, ou mesmo um empréstimo tomado de um familiar. Até mesmo as joias da família, que estão guardadas no armário, podem ser usadas para fazer caixa.
Isso porque, ao se levantar a maior quantia possível, é possível oferecer aos credores esse total como um pagamento à vista. “Normalmente a oferta do pagamento à vista de parte de uma dívida gera um abate forte no valor total”, diz Ricardo Rocha, professor de finanças do Ibmec São Paulo.
Troca de dívida
Outra etapa importante é a chamada consolidação da dívida, ou seja, “trocar” as várias dívidas com diferentes taxas de juros por uma única, mais barata. Na prática, isso significa pegar um empréstimo com uma única instituição e quitar todas as dívidas anteriores. O ideal é que esse empréstimo faça sua dívida mudar de perfil, com mais parcelas e juros menores que as anteriores.
Um bom caminho para isso é fazer essa “troca” de dívidas através de um empréstimo consignado à folha de pagamento. Enquanto as taxas de juros do cartão de crédito e do cheque especial podem oscilar entre 8% a 15%, normalmente as desse tipo de empréstimo ficam entre 2% a 4%.
Veja ao lado reportagem sobre o aumento das dívidas no cartão de crédito
Outra vantagem da unificação da dívida é fazer com que ela fique em um só banco ou administradora. Dessa forma, evitam-se os riscos da multiplicação de contas: muitas taxas para pagar e muitos boletos, o que aumenta a chance de perder um prazo ou se deixar de pagar uma conta.
“Além disso, uma única dívida permite que a pessoa coloque esse valor no seu orçamento financeiro. A pessoa precisa saber exatamente o quanto vai ganhar e o quanto tem de gastos indispensáveis todo mês, para saber se essa prestação única cabe no seu bolso”, analisa Gallo.
Caso não seja possível unificar todas as dívidas em uma, a recomendação é que se priorize aquelas com juros mais altos, como as do cartão de crédito. No entanto, eles alertam que o importante é pagar a fatura integral, e não apenas o valor mínimo, porque os juros sobre o valor total podem superar os 12% ao mês.
Uma simulação feita pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostrou que uma dívida com cartão pode quase dobrar em cinco meses. O instituto calculou o quanto cada pessoa gastaria se pagasse só o valor mínimo da fatura durante cinco meses. Em uma dívida de R$ 100, o valor final será de R$ 187.
Hora da conversa
Na hora da renegociação com os credores, os especialistas recomendam que a pessoa seja honesta sobre sua situação: ao conversar com o banco, o devedor deve mostrar que tem intenção de pagar, mas que está enfrentendo dificuldades. Com a crise, não só o desemprego está aumentando como várias empresas estão praticando a redução salarial, enquanto as contas mantém o seu valor.
“Normalmente os bancos e financeiras são abertas a esse tipo de situação. Eles preferem dinheiro na mão do que uma demanda complicada”, diz Gallo. “Eles (bancos) não têm interesse em deixar os clientes inadimplentes. Pode gerar um processo judicial demorado, com altos custos, que pode não dar em nada. Assim, para eles, é melhor receber alguma coisa do que nada”, concorda Fernando Dalbão, coordenador do curso de Economia da Universidade Cruzeiro do Sul.
Sujo na praça
Para alguns casos extremos, onde a seguida incidência de juros tenha feito o valor da dívida se elevar a um valor que o consumidor não tem nenhuma condição de pagar, às vezes pode ser necessário fazer a escolha de simplesmente suspender os pagamentos. “Caso se chegue a um ponto onde a opção é colocar comida na mesa ou pagar o banco, evidentemente as pessoas vão escolher dar prioridade à sua vida”, diz Coradi.
Confira ao lado as vantagens e desvantagens do cartão e do cheque especial
Nesse caso, haverá uma série de complicações: a pessoa vai passar a receber cartas de diversas instituições avisando que seu nome está “sujo na praça” e uma série de ligações de empresas de cobrança. “E elas podem ser impertinenentes, ligando no sábado à noite ou no domingo de manhã”, segundo o analista da EFC. “A pessoa tem que aprender a lidar com esses fatores e não se abalar. Pode ser um pouco traumático.”
Segundo Coradi, os consumidores nessa situação podem optar por esperar um pouco antes de procurar uma renegociação, caso consigam suportar a pressão. “Nesse meio tempo, ela pode tentar acumular capital para oferecer ao credor. Normalmente, depois de um certo tempo, também existe mais facilidade para conseguir um desconto maior no valor.”
No entanto, os analistas alertam que esse caminho é arriscado. “É possível que o consumidor sofra um processo jurídico, a recuperadora vai pedir a posse de algum bem, como carro ou até casa. Dependendo do contrato, também pode haver um fiador envolvido, o que pode complicar as coisas ainda mais”, diz Coradi.
Portanto, vale o conselho: antes de suspender o pagamento, é importante procurar a orientação dos órgãos de defesa do consumidor, como o Idec e o Procon.
Longe da lista negra
Para evitar todas essas dores de cabeça, de acordo com os analistas, a prevenção ainda é o melhor remédio contra as dívidas. A idéia é que o consumidor adote uma postura cautelosa para ficar longe das “listras negras” do crédito, como as do Serasa Experian e do Serviço de Proteção ao crédito (SPC), que impõem uma série de limitações.
“Mesmo que às vezes seja precisa vender um ativo como um carro, ainda é melhor do que cair na inadimplência”, analisa Coradi. Nessa estratégia de prevenção, os analistas recomendam manter o máximo de distância do cartão de crédito e do cheque especial. “O cheque especial só deve ser usado com inteligência”, conforme diz Rocha.
O exemplo desse uso inteligente é o pagamento de uma conta no final do mês: “Você está sem nada no banco, mas se não pagar terá uma multa na próxima parcela. Se você estiver perto do dia de receber seu salário, vale a pena usar o cheque especial, porque na maioria dos casos ele tem uma carência de cinco ou sete dias antes da incidência de juros”, explica.
Já o uso do cartão de crédito é definido por Coradi como “um remédio”: “Você deve tomar a dose certa na hora certa. Se você não tiver recursos para manter o seu nível de consumo, o melhor é quebrar o cartão e jogar fora.”
Fonte: G1
